Debate sobre a Pirâmide Alimentar entre Nutricionista

Debate sobre a Pirâmide Alimentar entre Nutricionista

Há alguns meses, surgiu uma iniciativa espontânea entre diferentes Nutricionistas-Nutricionistas que decidiram entrar em contato para realizar uma série de ações à margem do quadro do associativismo e dos eventos patrocinados. O grupo criado chamou-se “Alimentar sem patrocinadores”. Entre algumas das idéias comuns que tinham essas pessoas, estava o magro favor que se faz a divulgação e a transmissão da mensagem em alimentação quando essa informação parece muito influenciada pelos patrocinadores.

Captura do debate 26/01/14

Os pareceres dentro do grupo são bastante heterogêneos, mas se chegou através da participação em diferentes postas em comum em um grupo virtual, com vários acordos e propostas. Pessoalmente, sou um grande defensor do papel que joga o associativismo, tarefa a que dedico toda a minha vida voluntária, por isso o meu compromisso e apoio às associações e escolas é patente. Outra coisa bem diferente é a forma, as ações e as estratégias que serão tomadas a partir de cada um desses organismos. Sem apontar ninguém, há organizações que eu gosto, como funcionam e em outras não. Meu parecer sobre os patrocinadores e o papel que devem desempenhar acho que está amplamente explicado no post “Patrocinadores em Nutrição: um exercício de coerência”.

Deste grupo saíram muitas ideias que compartilho, e é por isso que eu não hesitou em participar da primeira destas ações. Entre as coisas proposta, decidiu-se que a primeira a levar a cabo seria um encontro online (hangout aberto) no qual diferentes Nutricionistas-Nutricionistas intervendrían com diferentes pontos de vista e visões, e essa rodada de intervenções seria pública e acessível para todo o mundo.

Era uma maneira de fazer o debate, colocar pessoas em contato e levar o tema para as pessoas que querem ver. Eis o vídeo do debate de ontem à noite:

Como o vídeo é bastante extenso, facilito os cortes para as diferentes intervenções e que assim se possam consultar, imprimir ou ver o encontro em momentos diferentes.

1: Intervenção de Rúben Madri. @RubenMurciaPrie
2: Intervenção de Pedro Sánchez. @MiDietaCojea
3: Intervenção de Paulo Zumaquero. @pzjarana
4: Intervenção de Naira Fernandes. @unapizcadevida
5: Intervenção de Carlos Rios. @Nutri_rivers
6: Intervenção de Marc Casañas. @Firefly_fan
7: Intervenção de Pomba Quintana. NutricionconQ

O moderador da sessão foi Carlos – Demóstenes @perdiendomasa, que gentilmente se ofereceu para dividir o turno de intervenções e preparar uma grande parte do evento.

Rodada de perguntas e discussão (Comum entre todos os integrantes). Este ponto é um pouco mais extenso, já que fizemos diferentes intervenções para esclarecer algumas posições, e até mesmo nos fizemos perguntas entre os diferentes participantes, sem dúvida enriquecedor. Convido-Os a que, apesar de sua extensão, lhe echéis um piscar de olhos com a mesma vontade que as primeiras intervenções. Pessoalmente na rodada de conclusões optei por esclarecer a função das guias alimentares em grupos populacionais específicos, a falácia utilitarista baixo que (na minha opinião) se justificam algumas dietas, e a diferença entre a produção biológica e produção sustentável/ambientalmente menos impactante.

Conclusões do debate sobre a pirâmide alimentar:
É realmente complicado extrair conclusões de todo o debate, pois tem sido amplo e com muito nuances, acho que o convertem em um vídeo que vale a pena ver. Eu tomo a permissão para extrair o que a mim me pareceu alguns pontos comuns, salientar que não são recomendações oficiais, mas os pontos comuns entre as diferentes pessoas, vimos que seria importante incorporar em um futuro o mais próximo possível:

Sobre o modelo de guia alimentar ou pirâmide:

O modelo de pirâmide atual tem limitações, o que causa confusão na hora de ser interpretada pela sociedade.
Como não há uma única alimentação saudável, as recomendações devem basear-se no contexto local adaptando aos costumes e a disponibilidade de alimentos locais, sem as pressões da indústria alimentar.
As recomendações devem atender a outras preocupações além das nutricionais (como é o impacto ambiental ou econômico).
Há um excesso de hierarquização dos grupos de alimentos.
Requer muito tempo para transferir os mais recentes avanços na investigação à prática clínica, devemos trabalhar em reduzir este gap temporal.
As recomendações devem ser mais dinâmicas e menos dogmáticas para atender à evolução da ciência.
No debate foram percebido discrepâncias que foram vistos como oportunidades, já que abrem a porta a novos tema…
Sobre a mensagem que se lança:

Há que enfatizar mais a qualidade dos alimentos que o tipo de alimento em si, porque recomendação de alimentos dentro de um mesmo grupo pode variar muito.
Deve reduzir a importância de cereais refinados no guia alimentar.
Se deve incentivar o consumo de alimentos com maior densidade de nutrientes, em detrimento daqueles com pouca densidade, como doces, álcool…
Deve ser feito a ênfase na mensagem de um maior consumo de frutas, legumes, nozes e óleos saudáveis.
Sublinhar o papel de outros fatores, como a atividade física, o sedentarismo ou outras práticas saudáveis.
Classificação pessoal e experiência

Exemplo de uma pirâmide alimentar (Guia de alimentação)

Além do próprio fundo do assunto, vejo que o maior avanço que permitiu o encontro é o de compartilhar, debater, confrontar opiniões, pontos de vista e acima de tudo ouvir outras pessoas. Para muitas das pessoas integrantes do hangout foi a primeira vez que nos “víamos” e este tipo de atividades para desvirtualizarnos permite essa troca, que de outra forma seria muito difícil. Isso pode parecer algo acessório, na minha opinião, é uma das maiores lacunas do nosso sistema educativo, tal como já evidenciado em outros posts como: “Quando ir para a escola é como assistir à missa” ou “Motivação universitária exterminada por uma má ensino”, as competências que se adquirem por ouvir os outros, são infinitamente mais poderosos e adquiridas de uma forma mais vivencial, podendo aplicá-los depois para a vida diária de uma forma muito mais eficaz. Justificação que mantém em pé a minha visão educacional não-formal que levamos a cabo no âmbito extraescolar, ou que dá lugar a recursos educativos como este.

O guardo como extremamente útil e como uma experiência que gostaria de repetir no futuro, a certeza de que os integrantes do grupo em breve propõem uma nova temática sobre o que debater, e acima de tudo, que de forma aberta possa ser consultada por todo o mundo que quer ver esses diferentes pontos de vista.

Avisaré para a próxima, de forma que se faz também público, todo mundo que quiser pode ver o filme, tanto ao vivo como depois no canal do youtube.

Se você gostou compartilhe e divulgue!

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *