Author Archive Saulo

desnatado 0% sem gordura saturada

Terá sido o exílio tenho estado a salvo do bombardeio publicitário português e agora estou mais suscetível. Não foi o suficiente para encontrar-se à volta anúncios como o de MegaRed, beneplácito da Fundação Espanhola do Coração incluído, que agora eu vi um anúncio que foi impossível de passar despercebido: O de Flora FolicB Desnatado: Única e sem gordura saturada. O anúncio em questão é o seguinte, o que vamos submeter a outra análise publicitário.

Não merece dedicar muito tempo às emoções inicial, porque o resto tem motivos suficientes para parar. Uma das primeiras coisas que chama a atenção é a de usar como uma propaganda a palavra “única”, uma menção, sem qualquer tipo de exigência ou controle, mas que soa “original”, como se fosse ao alcance de uns poucos, ao fim e ao cabo, todas as pessoas são únicas à nossa maneira; mas é abaixo de onde vem o motivo principal desta entrada: Leite desnatado sem gordura saturada.

Para que tenhamos a idéia, essa afirmação a nível nutricional vem a ser algo como dizer:

Pessoa nua e sem gorro.
Fruta sem casca e sem pele.
Frutos secos, sem água.
Prato vegetariano sem frango.
Ovo cru sem cozer.
O leite desnatado e sem gorduras saturadas? Mas é claro! Se é desnatado. O que pretende fazer Leite Pascal com esse anúncio? Minha hipótese é muito simples:

Associar a ausência de gorduras saturadas para o seu produto como um valor acrescentado, aproveitando-se de que as pessoas não sabem que com o sabor perde as gorduras saturadas.

Então, o que tem de único? Nada, porque o processo de sabor não discrimina o tipo de gordura.

O sabor:
O sabor do leite é feita por um processo físico chamado centrifugação, nele, centrifuga leite e seus componentes são separados em função da diferente densidade. Como a parte da gordura do leite (“creme”), tem diferente densidade que a água, você pode obter essa separação sem ter que recorrer a tratamentos mais agressivos.

Esquema de centrifugador [Imagem: Modelo de Woerh]

Densidade e peso dos ácidos graxos
Embora os ácidos gordos têm diferentes massas moleculares e densidades (dependendo do tamanho da molécula) têm uma densidade muito semelhante, e ainda, assim, as diferenças que encontramos nos diferentes tipos de gordura não depende tanto se são saturados ou insaturados, mas do comprimento da molécula. De maneira que, com um processo de centrifugação não se podem separar os ácidos graxos saturados do resto.

A diferença entre um ácido graxo saturado ou insaturado é a presença ou não de ligações duplas em sua estrutura (no esquema seguinte aparecem representados como listras pretas duplas).

[Imagem: Instituto Flora]
Me permito gostosas e citar a imagem que o Instituto Flora tem em seu web informativa, para compensar a sua falta de informação publicitária.

Pode ser que você pode estar pensando, mas por que você é tão desconfiado? Talvez Leite Pascal desenvolveu uma nova tecnologia que permite a separação por centrifugação somente os ácidos graxos do leite. Vejamos a composição:

Gordura no leite de vaca:
A quantidade de gordura que encontramos no leite integral supera os 3,5 g/100ml. Este é um extrato da informação nutricional do próprio Leite Pascal:

[Foto: Leite Pascal]
Informação nutricional do Leite Inteira Pascal

Como vemos, quando se desnatado leite, reduz-se o seu conteúdo em gordura, tal como veremos no caso do leite Desnatado.

Desnatado 0% De Certeza?
Leite Pascal desde há alguns meses não tem o simples e vulgar Leite Desnatado “normal”, tem o Leite Desnatado 0%, que se anuncia com o seguinte local:

E que tem a seguinte informação nutricional

[Foto: Leite Pascal] Informação nutricional do Leite Desnatado 0%

Não sabemos muito bem a que se refere o 0%. Deve ser Fibra Alimentar, porque a outra coisa de acordo com a rotulagem. Na web coletam a seguinte resposta:

Ou seja, dão a entender que é um leite 0% de gordura, quando na verdade não o é. Mas de qualquer maneira eu poderia perguntar. O que melhora a nível de saúde teria após reduzir 0,3 g/100ml de frente para nada? Bem mais curta.

O sem gorduras saturadas?
O spot diz claro, “única e sem gordura saturada”. Comprobémoslo na rotulagem:

[Foto: Leite Pascal]
Informação Nutricional Leite FolicB Desnatado

Como vemos, as gorduras saturadas continuem aparecendo ainda, em uma quantidade mínima. Podereis dizer-me agora “Que tiquismiquis és Pedro, tem apenas 0,1 g/100ml de produto”. Sim, correto, mas é que não é nada de novo, a desnatado 0% de a mesma marca tem 0,2 g/100ml. Como Justifica esta redução ridiculo o lançamento de uma nova campanha ou produto? A nível de saúde e de interesse da população, sem dúvida que não. A nível comercial para a marca, claro que sim.

Você ajuda a controlar o colesterol?
Pode ser que o ouro “está bem, não são rigorosos com o uso de “sem” e 0%”, até mesmo as mudanças que se apresentam não têm nada de “único” em relação aos seus anteriores modalidades ou leite de competição, mas talvez sim, que ajuda a reduzir o colesterol”.

Pois bem, o leite em si não, por isso o seu próprio site e em letra pequena no local incluem um belo asterisco para esclarecer o assunto, onde explicam que:

Ou seja, não é o produto, o que ajuda a reduzir o colesterol, mas essa orientação dietética. No entanto, se aproveitam dela para inclusão na rotulagem com um matiz em letra pequena.

De acordo com o anúncio da redução, como tal, a gordura saturada é a primeira coisa que você tem que reduzir. Atualmente há muita controvérsia sobre o verdadeiro papel que têm as gorduras saturadas de forma independente, recomendo ler este post de Centinel. A pauta do anúncio é muito isolada, e deve ser incluída em outras gerais, de que trata a in mitos sobre as dietas do colesterol. Tal como diz a letra pequena no site de Leite Pascal, é a substituição das gorduras por outras insaturadas. Por isso, se tivesse que reduzir algo que eu abogaría por apontar para a Energia total da dieta, os açúcares simples e o sedentarismo.

O processo de Marketing
Não quero ser mal pensado, mas vendo esse tipo de campanha só me ocorre uma hipótese que se dá nos escritórios de publicidade dessas empresas que tem que ser muito semelhante à seguinte situação:

Se você gostou compartilhe e divulgue!

Desmontando a dieta da zona (a seu pedido)

A Dieta da Zona leva olhando para mim por muito tempo, é verdade que é um método bastante conhecido dentro do mundo da Nutrição, muito difundida dentro de todo esse conjunto de fórmulas compostas de “A dieta…”.

Mas também não é uma exceção, já que baixou amplamente a mania de caracterizar uma dieta de sua natureza dependente de algo, seja uma pessoa (como a Dieta Dukan ou Atkins); um alimento (alcachofra, abacaxi…) ou de um “método”, como é este caso.

O caso é que é curioso o processo de como surge este post, se você quiser uma dose de anecdotismo leed as seguintes linhas, se você quiser ver a análise id diretamente a esse ponto.

Antecedentes: Há pouco menos de um mês, recebi um e-mail (consta-me que blogs de outros colegas também o receberam) com um pedido de escrever sobre a referida dieta por parte da empresa. Poderíamos dizer que esse e-mail errou um pouco no nicho ao qual se dirigia, já que com pouco se informar sobre o blog que eu enviar as informações, você vai perceber que talvez Midietacojea não atende o perfil que eles estavam procurando. Com um rápido olhar para a filosofia do blog, ou a outras entradas em que Meritene, Actimel ou Pediasure não saem muito bem paragens, teria o suficiente.

À margem de um convite para a refeição de gala e a parafernália típica nestes ofertas, porque eu avisei a empresa, que escreveu o post que eu havia pedido do meu ponto de perspectiva de Dietista-Nutricionista, ao fim e ao cabo, tentativa ajustarme as sugestões e pedidos de pessoas.

A resposta foi um “Ótimo que queira participar. Nos próximos dias, vou te enviar mais informações por e-mail e os produtos que te chegarão por e-mail”.

A mim que me sinta mal, isso de receber presentes sem merecerlos, voltei para avisar via twitter e Facebook de minhas intenções:

A segunda, mesmo com o encontro e pergunta, não vá ser que não teve conhecimento de que, talvez, não saía muito bom parar a dieta:

Não havendo resposta aos tweets, assumo que lhes pareceu ideal, e depois de abrir ontem o pacote de presente, me lançou para escrever o post.

Análise da dieta da Zona

Foram tão antes, os de EnerZona que até me enviaram uma série de documentos com os supostos benefícios da dieta, do omega-3, fotos dos produtos, as características do método… vamos, que lhes faltou dizer o formato de letra e o título para obter uma entrada de promoção direta.

No entanto, vou permear a análise minha visão como Nutricionista-Nutricionista e educador. Por trazer uma ordem vou descrever em primeiro lugar, as premissas desta dieta.

CARACTERÍSTICAS DA DIETA DA ZONA

A Dieta da Zona é uma dessas dietas que em seu logotipo tem o nome de um senhor com pouca auto-estima, e por isso tem que ver seu próprio nome em seus produtos, tal como acontece com Pierre Dukan, pois o mesmo caso com o bioquímico Barry Sears, um senhor que fala de conceitos do calibre de “gordura tóxica”. Seguindo o jogo de famosos, como a realizada Jennifer Aniston, tornou-se famosa (da dieta). Quanto à distribuição de macronutrientes defende a proporção 40-30-30. Ou seja, 40% de Carboidratos, 30% de Proteínas, 30% de Gorduras. Trata-Se, portanto, de uma dieta hiperproteica. Além disso, a distribuição de kcalorías para as pessoas que a seguem é muito inferior às suas necessidades energéticas, o que é muito hipocalórica. Cabe lembrar que uma dieta equilibrada segue as proporções de macronutrientes:

Hidratos de Carbono: 50-60%
Proteínas: 12-18%
Gorduras: 25-35%

Ou seja, estamos diante de uma dieta desequilibrada (por definição). Isso é diferente do que se a dieta é ou não saudável, como você pode ver aqui. Mas não descarta que, efetivamente, possa ser ou não apropriado, dependendo do caso. Começando por esta abordagem, cabe destacar o posicionamento do GREP-AEDN perante as dietas hiperproteicas, também o documento de posicionamento frente à dieta da zona.

O Consenso para a prevenção e tratamento da obesidade da Federação Espanhola de Sociedades de Alimentação, Nutrição e Dietética (FESNAD), não só não comprova a capacidade emagrecimento de proteínas, mas que no caso de que este aumento de proteínas se fizesse à custa de carne poderia, tal como aponta o consenso de que “o elevado consumo de carne e produtos à base de carne pode aumentar o ganho de peso e o perímetro abdominal”. E, além disso, “a longo prazo (superior a um ano), as dietas de baixo conteúdo energético não originam uma maior perda que as dietas de baixo teor calórico e sim que representam um maior risco de efeitos adversos que as dietas de baixo teor calórico”.

Uma vez analisado o aspecto de “equilíbrio da dieta” nós podemos ir em algumas justificativas, a dieta da zona enfatiza em vários aspectos fisiológicos, exalta, sobretudo, a importância dos ácidos graxos ômega-3, e do controle da glicemia e a síntese de insulina. Não vou negar que esses aspectos, tanto o tipo de ácidos gordos que tomamos na dieta, como o equilíbrio glicémico, é fundamental em uma dieta. Mas está intimamente relacionado com a venda de seus produtos.

Por exemplo: a Dieta da Zona defende que não só é importante que a relação 40-30-30 se dê durante o dia todo, mas em cada uma das entradas, como isso é realmente complicado quando se está fora de casa, nos colocam à nossa disposição uma série de produtos (barras de cereais, biscoitos, lanches, salgados, batidos…) que, mesmo divididos por “blocos” de calorias. De forma que alguns de seus produtos têm 1bloque = 100kcal aprox, com a distribuição mágica de 40-30-30 ¡veja! ¡Pensam em tudo! Sobretudo em vender.

Por se fosse pouco, ressalta o quanto é difícil conseguir as quantidades de EPA e DHA recomendadas, (que são dois tipos de ácidos gordos omega-3); de passagem, sobem as recomendações de nutrientes-o um pouco, e não se preocupam de obter essa quantia por parte da dieta, de forma que você tem que tomar todos os dias suas cápsulas de Omega-3 RX Ener Área, mesmo se atrevem a colocar o omega-3 na base de sua pirâmide própria.

Desta maneira já está montado o bar: justificou a importância do ômega-3 em quantidades industriais, uma proporção pouco convencional de macronutrientes em cada ingestão… e como não é fácil com a dieta, você coloca a sua disposição os meus produtos para o sucesso. O Tachán!

ANALISANDO SUAS DECLARAÇÕES

Uma vez conhecidas as suas características, vamos analisar as acusações que usa em seus folhetos e produtos:

Em primeiro lugar me chama a atenção que abanderen seu logotipo com a frase “Na Área da evidência científica”, que fazem um jogo de palavras para dar-lhe justificação ao método, que, como veremos, não é tão bonito como o pintam.

Em primeiro lugar, a única evidência científica que acompanha o método é a de que os efeitos do ômega-3, e o controle glicêmico, aspectos fisiológicos que, obviamente, você tem que controlar o nosso organismo. Como Justifica isso seguir a dieta da Zona? Não!, o perfil lipídico e a glicemia são aspectos que devemos considerar em qualquer plano de alimentação.

FALÁCIAS DA TRAMA:

Por outro lado, lembrar que o fato de que certos elementos possuam de forma individual características, não tem por que dar essa característica a um total, e nem muito menos em condições diferentes.

Ao igual que a dose de vitamina produzem um efeito de X e outra E o multivitamínico que contenha as duas não vai produzir X+Y. Tampouco porque um alimento/dieta contém uma molécula que uma dose que in vitro tem um efeito específico, implica, necessariamente, que o seu consumo tem.

Uma coisa é dizer que a madeira é um bom isolante térmico, e outra dizer que na minha casa de madeira não tenho frio.

OS SUPOSTOS BENEFÍCIOS DA DIETA DA ZONA:

-“É equilibrada e saudável” (mentira, é desequilibrada, segundo a definição que temos analisado, porque as suas proporções são hiperproteicas, que não tem por que ser perigoso).

-“Obtém-Se o peso adequado para cada pessoa, sem passar fome” (Pretensioso, fraudulento, não tem um porquê).

-“Melhorar os níveis de colesterol e HDL”. Eu acho quanto mais curioso, já que muitos de seus produtos têm um perfil lipídico saturado ou contêm hidratos de carbono refinados.

Barrinhas de cereais, 5 g de gordura saturada de 13,3 g total = 37,6%
Barra sabor cheese-cake: 7,5 g de gordura saturada, de 12,8 g total = 58,6%
Lanche “Minirock” 10,2 g de gordura saturada de 16,4 g total = 62,2%
Shake sabor morango: 8,4 g de gordura saturada de 13,2 g total = 63,6%

Para uma dieta de proteção cardiovascular, recomenda-se uma ingestão de < 7% de ácidos graxos saturados, enquanto que estes produtos contêm entre 5 e 9 vezes mais do que essa proporção.

Como você pode dar uma olhada no post sobre o Mitos e erros sobre o colesterol”, este perfil não ajuda a fazer; e se os benefícios só são atribuídos ao consumo do omega-3 não devem ser inerentes aos da dieta em sua descrição.

-“Aumenta o desempenho físico, mental, energia e vitalidade” (Alguma evidência de o primeiro? E sobre o segundo? A que se referem?).

-“Aumenta a nossa capacidade antioxidante e reduz o aparecimento de radicais livres. Fundamental para retardar o processo de envelhecimento”. Como evidência de que esta dieta faz isso? por favor…)

Também inclui uma série de situações para que saiba se você precisa da Dieta da Zona, estas, de acordo com a empresa são:

“Você acha que seus hormônios não se deixam perder peso, você tem sempre fome, faz dieta e não perder peso, você recupera rapidamente, não mantiver o seu desempenho físico com a dieta, você quer aprender a comer de forma saudável…”

Ou seja, uma série de características comuns às pessoas que fracassam com as dietas, uma primeira justificação que tenta preencher um vazio de informações a pé de rua (hormônios) e o elefante branco final de “se quiser aprender a comer de forma saudável”.

Me parece uma provocação vender esta “dieta” como um método para aprender a comer, quando, precisamente, faz tudo o contrário: tornar dependente de uma bateria de produtos, pressuposto de uma incapacidade para poder alcançar os objetivos que você marca ela mesma.

Se você realmente se preocupasen de sua saúde, os profissionais que anunciam em seu site, te ensinar a comer, e tal como faria um Nutricionista-Nutricionista. Infelizmente o que conseguirá com este método, além de seguir uma dieta desequilibrada, vai doar o dinheiro a uma empresa que faz publicidade enganosa e que há de seus clientes, consumidores dependentes, a longo prazo, por não dar-lhes as ferramentas adequadas.

—–

Por último, e fazendo referência à linha inicial do post, dizer que esta coluna tinha cravada desde que estudei a Diplomação, lembro-me do que me aconteceu em um curso de livre escolha (sim, aqueles créditos que dizem ser formação flexível do aluno, mas a única coisa que fazem é se tornar um elemento de circo e o riso, e até mesmo colocar-se a serviço de quem possa pagar cursos de mergulho de 400€ para cepillárselos quase uma).

Em um desses cursos, que visa a nutrição e o esporte, “os professores da minha Universidade foram capazes de levar-nos a uma bióloga que trabalha para EnerZona a racionalização toda esta coluna de falácias, mesmo se puseram de sua parte no debate que um colega e eu desencadenamos para mostrar o nosso descontentamento. O show teve de tudo, até mesmo depoimentos de pessoas que haviam seguido a dieta, entre elas um guarda-roupa de cerca de 100kg que dizia que eu ia genial consumindo 20 blocos por dia (2000 kcal).

Mais uma evidência de que não se deve crer nem em profissões ou em coletivos, mas em pessoas, e pessoas com boa vontade.

—–

Basulto J, M, Baladia E. Dietas hiperproteicas ou proteinadas para emagrecer: desnecessárias e arriscadas. Dieta Dukan e método PronoKal como exemplo. A FMC.2012; 19(7): 411-8.
Gargallo M, Basulto J, Breton I, de grande êxito J, Formiguera X, Salas-Salvadó J. Recomendações nutricionais baseadas em evidências para a prevenção e o tratamento do sobrepeso e da obesidade em adultos (Consenso FESNAD-SEEDO). Revista Portuguesa de Obesidade. 2011;9 (Suppl 1):1-78.
Frank H, J Graf, Amann-Gassner Ou, Bratke R, Daniel H, Heemann Ou, et al. Effect of short-term high-protein compared with normal-protein diets on renal hemodynamics and associated variáveis in healthy young men. Am J Clin Nutr. 2009;90:1509-16.
Se você gostou compartilhe e divulgue!

Debate sobre a Pirâmide Alimentar entre Nutricionista

Há alguns meses, surgiu uma iniciativa espontânea entre diferentes Nutricionistas-Nutricionistas que decidiram entrar em contato para realizar uma série de ações à margem do quadro do associativismo e dos eventos patrocinados. O grupo criado chamou-se “Alimentar sem patrocinadores”. Entre algumas das idéias comuns que tinham essas pessoas, estava o magro favor que se faz a divulgação e a transmissão da mensagem em alimentação quando essa informação parece muito influenciada pelos patrocinadores.

Captura do debate 26/01/14

Os pareceres dentro do grupo são bastante heterogêneos, mas se chegou através da participação em diferentes postas em comum em um grupo virtual, com vários acordos e propostas. Pessoalmente, sou um grande defensor do papel que joga o associativismo, tarefa a que dedico toda a minha vida voluntária, por isso o meu compromisso e apoio às associações e escolas é patente. Outra coisa bem diferente é a forma, as ações e as estratégias que serão tomadas a partir de cada um desses organismos. Sem apontar ninguém, há organizações que eu gosto, como funcionam e em outras não. Meu parecer sobre os patrocinadores e o papel que devem desempenhar acho que está amplamente explicado no post “Patrocinadores em Nutrição: um exercício de coerência”.

Deste grupo saíram muitas ideias que compartilho, e é por isso que eu não hesitou em participar da primeira destas ações. Entre as coisas proposta, decidiu-se que a primeira a levar a cabo seria um encontro online (hangout aberto) no qual diferentes Nutricionistas-Nutricionistas intervendrían com diferentes pontos de vista e visões, e essa rodada de intervenções seria pública e acessível para todo o mundo.

Era uma maneira de fazer o debate, colocar pessoas em contato e levar o tema para as pessoas que querem ver. Eis o vídeo do debate de ontem à noite:

Como o vídeo é bastante extenso, facilito os cortes para as diferentes intervenções e que assim se possam consultar, imprimir ou ver o encontro em momentos diferentes.

1: Intervenção de Rúben Madri. @RubenMurciaPrie
2: Intervenção de Pedro Sánchez. @MiDietaCojea
3: Intervenção de Paulo Zumaquero. @pzjarana
4: Intervenção de Naira Fernandes. @unapizcadevida
5: Intervenção de Carlos Rios. @Nutri_rivers
6: Intervenção de Marc Casañas. @Firefly_fan
7: Intervenção de Pomba Quintana. NutricionconQ

O moderador da sessão foi Carlos – Demóstenes @perdiendomasa, que gentilmente se ofereceu para dividir o turno de intervenções e preparar uma grande parte do evento.

Rodada de perguntas e discussão (Comum entre todos os integrantes). Este ponto é um pouco mais extenso, já que fizemos diferentes intervenções para esclarecer algumas posições, e até mesmo nos fizemos perguntas entre os diferentes participantes, sem dúvida enriquecedor. Convido-Os a que, apesar de sua extensão, lhe echéis um piscar de olhos com a mesma vontade que as primeiras intervenções. Pessoalmente na rodada de conclusões optei por esclarecer a função das guias alimentares em grupos populacionais específicos, a falácia utilitarista baixo que (na minha opinião) se justificam algumas dietas, e a diferença entre a produção biológica e produção sustentável/ambientalmente menos impactante.

Conclusões do debate sobre a pirâmide alimentar:
É realmente complicado extrair conclusões de todo o debate, pois tem sido amplo e com muito nuances, acho que o convertem em um vídeo que vale a pena ver. Eu tomo a permissão para extrair o que a mim me pareceu alguns pontos comuns, salientar que não são recomendações oficiais, mas os pontos comuns entre as diferentes pessoas, vimos que seria importante incorporar em um futuro o mais próximo possível:

Sobre o modelo de guia alimentar ou pirâmide:

O modelo de pirâmide atual tem limitações, o que causa confusão na hora de ser interpretada pela sociedade.
Como não há uma única alimentação saudável, as recomendações devem basear-se no contexto local adaptando aos costumes e a disponibilidade de alimentos locais, sem as pressões da indústria alimentar.
As recomendações devem atender a outras preocupações além das nutricionais (como é o impacto ambiental ou econômico).
Há um excesso de hierarquização dos grupos de alimentos.
Requer muito tempo para transferir os mais recentes avanços na investigação à prática clínica, devemos trabalhar em reduzir este gap temporal.
As recomendações devem ser mais dinâmicas e menos dogmáticas para atender à evolução da ciência.
No debate foram percebido discrepâncias que foram vistos como oportunidades, já que abrem a porta a novos tema…
Sobre a mensagem que se lança:

Há que enfatizar mais a qualidade dos alimentos que o tipo de alimento em si, porque recomendação de alimentos dentro de um mesmo grupo pode variar muito.
Deve reduzir a importância de cereais refinados no guia alimentar.
Se deve incentivar o consumo de alimentos com maior densidade de nutrientes, em detrimento daqueles com pouca densidade, como doces, álcool…
Deve ser feito a ênfase na mensagem de um maior consumo de frutas, legumes, nozes e óleos saudáveis.
Sublinhar o papel de outros fatores, como a atividade física, o sedentarismo ou outras práticas saudáveis.
Classificação pessoal e experiência

Exemplo de uma pirâmide alimentar (Guia de alimentação)

Além do próprio fundo do assunto, vejo que o maior avanço que permitiu o encontro é o de compartilhar, debater, confrontar opiniões, pontos de vista e acima de tudo ouvir outras pessoas. Para muitas das pessoas integrantes do hangout foi a primeira vez que nos “víamos” e este tipo de atividades para desvirtualizarnos permite essa troca, que de outra forma seria muito difícil. Isso pode parecer algo acessório, na minha opinião, é uma das maiores lacunas do nosso sistema educativo, tal como já evidenciado em outros posts como: “Quando ir para a escola é como assistir à missa” ou “Motivação universitária exterminada por uma má ensino”, as competências que se adquirem por ouvir os outros, são infinitamente mais poderosos e adquiridas de uma forma mais vivencial, podendo aplicá-los depois para a vida diária de uma forma muito mais eficaz. Justificação que mantém em pé a minha visão educacional não-formal que levamos a cabo no âmbito extraescolar, ou que dá lugar a recursos educativos como este.

O guardo como extremamente útil e como uma experiência que gostaria de repetir no futuro, a certeza de que os integrantes do grupo em breve propõem uma nova temática sobre o que debater, e acima de tudo, que de forma aberta possa ser consultada por todo o mundo que quer ver esses diferentes pontos de vista.

Avisaré para a próxima, de forma que se faz também público, todo mundo que quiser pode ver o filme, tanto ao vivo como depois no canal do youtube.

Se você gostou compartilhe e divulgue!

Quando você só tem professores que não são de profissão

Se eu tivesse um goleiro em meu modelo, quando tocasse treinar pênaltis não o mandaria para limpar as botas.

Não entendo muito bem por que, então, na universidade há tantas ‘posições’ mudadas. Dá muita preguiça refrescar e dar passagem a um corpo docente com ideias diferentes, mesmo quando a temática que dá esteja desatualizado, ou o jovem está mais formado nela.

Dizer um “eu sigo dando isso que eu já tenho o power point preparado” é tão incompreensível como o atacante que diz o goleiro substituto “bah, já paro eu o pênalti, que eu tenho as luvas”.

Se Confúcio reformase os planos de estudos, enmarcaría sua frase “Me contaram e eu esqueci, eu vi e entendi, eu fiz e aprendi” na porta de cada Departamento Universitário da geografia espanhola.

Ocorre uma particularidade, é que as corridas em que não há professores que tenham exercido a mesma, não chegamos nem a esse primeiro passo de Confúcio. Simplesmente se imagina. Em Nutrição e Dietética, as salas de aula são o palco de ‘contar’ coisas, mas pouco de ‘ver’ e ‘fazer’. O aprendizado já outra coisa, questão de pesca de altura para cada aluno.

Quando se fala sobre o porquê desta situação, me irrita, especialmente, a frase “é necessário que mais profissionais se tirar o doutoramento”, porque é uma condição insuficiente. Não, desses já há bastantes. O que há falta de acordo, o sistema é mais gente disposta a esperar “o turno”. Espero que a estas alturas do filme, as pessoas se tenha desencantado do conto de fadas, haja visto que a universidade espanhola tem desempenhos muito peculiares.

Entre outros, curiosamente, há muitos sobrenomes que se repetem, muitos laços familiares e sentimentais nos mesmos centros, Que lindo! Agora a vocação vai nos genes! E aí os méritos dos concursos. Todos nós sabemos alguma experiência em que as praças pública de muitos centros, surgem não por cobrir necessidades reais dos alunos, mas outros, mais distantes do aprendizado. Falta pouco para a configuração de pôr em muitos perfis que procuram apenas docentes que medem 1,83, negros, óculos e nascido no Toboso.

Estas, entre outras características próprias, apontam sem querer o centro de interesse da docência. A universidade não gravita em torno da aprendizagem, nem do alunado. Esse giro constante condenou a universidade a crise atual, com uma órbita que era muito fácil de prever. Ou será que o que nós acreditamos, que o resultado atual não poderia ter predito?

Não faz falta ser um luminares para saber que se monta um modelo de ensino, distante da didática em si mesma, em algum momento haverá problemas de formação.

O que seria de esperar de lugares em que não se tem em conta a capacidade docente?
O que seria de esperar de um modelo que não reconhece a divulgação e a docência?
O que seria de esperar de concursos em que se ignora a vocação docente?
O que seria de esperar quando os requisitos são mais próximos a viver em um laboratório que olhar para os olhos do alunado?
O que seria de esperar se a educação a proibimos todos?

Mas, de repente, nós abrimos os olhos, vemos a motivação universitária exterminada por uma má docência, nós vamos dar as mãos à cabeça, nós, os tolos e nos perguntamos Como isso aconteceu!? A sério o que nos surpreende?

Não pode ser muito chocante que o corpo docente seja co-responsável, porque, apesar de sua práxis não é justificável, sim que é compreensível pela forma como está montado o sistema. Nunca justificá-lo-ei a um docente que perde a capacidade de inspirar a sua ex-alunos, mas entendo que diante da total falta de motivação, reconhecimento e estímulo, prefira repetir os slides do ano passado. É compreensível apenas a partir da empatia, mas nunca é uma posição digna de defender, porque a qualidade e a responsabilidade vai, ou deveria ir ao menos, no cargo.

Não, a culpa não é só do professor. São apenas circunstanciais; são apenas o resultado de um modelo. E quando passam a fazer parte deste ciclo, dificilmente concebem alterá-lo. “Tem sido assim toda a vida”.

É inaceitável que ir para a universidade, seja como assistir à missa, especialmente quando o frade não se formou em outras religiões e só sabe recitar a sua própria. Estimado professor que leciona a docência uma profissão diferente da sua, entendemos que foi coroinha de sua religião, mas pelo menos tenha a decência de mergulhar em outras disciplinas, se você vai evangelizar no que você não conhece.

E no caso de não ter nem o tempo nem a motivação de entender o nosso mundo, a nossa profissão, nossas ferramentas de trabalho, ao menos tenha a decência e a humildade de assumir os limites, e de armar, se necessário, o “não sei, eu olho para amanhã”.

Quando você tem que dar uma sessão em frente a um público que é, maioritariamente, de outra especialidade, é quando mais prudente se deve ser. Por que não é a norma? Por que acontece justo o contrário e acaba falando a partir de um parapeito? No meu caso particular, quando me tocou ministrar aula para outra profissão, sobretudo futuros farmacêuticos, nunca lhes dei a Nutrição com uma colher e jardineiras, “engolir, que isso é o que há”. E que conste que motivos de ressentimento não faltavam.

Essa justificativa do professor desgraçado que todos temos dentro de nós a pensar “agora você vai descobri o que é condensar o meu campo de estudo, em poucas horas” é tão atraente como pouco útil. Por que recrear-se dela? Será que ao fim e ao cabo, que vai precisar ou aproveitar a sua aplicação profissional? Essa é a pergunta que deve ser feito a cada docente, 5 minutos antes de atravessar o marco da porta de uma sala de aula.

Sair satisfeito de uma classe, se você conseguir plantar uma preocupação, isso deve ser um objetivo. Porque se vários futuros farmacêuticos consideram a inutilidade dos complementos de drogaria que invade as prateleiras de sua botica, já há um germe novo, que não existia. Quando a satisfação de um docente ficou limitada a dar 25h do que é meu? Quando perdemos o horizonte para dar mais importância ao ser ouvido do que o que se aprende?

É de se entender que corridas com mais tradição, embora tenham disciplinas mais específicas, acabem contribuindo com facilidade o exercício profissional em uma profissão com curso. Vai passar na Farmácia, Medicina, Enfermagem… quando se fala de igual para igual, entende-se as pessoas. Sabemos do que falamos.

O panorama muda quando esses profissionais vão “falar de seu livro”. Quando a contribuição final não importa, “senhoras, senhores, eu vim aqui para ensinar-lhes parasitologia, bioquímica, anatomia, era apontamentos, como se isso, encerram a classe como melhor lhes convier, que com vaselina tudo é mais suportável”.

O inaceitável é que o próprio ex-alunos não seja capaz de identificar bem as suas competências profissionais, que tenha dúvidas em explicar a que se vai dedicar, ou que desempenho profissional pode fazer, porque ninguém o ensinou. Dúvidas, por um lado decorrentes do desconhecimento do professor que dá aula, e por outro lado porque a aprendizagem a partir do exemplo é impossível. Como é que vai existir um aprendizado profundo, se o professor não estiver familiarizado com o aplicativo? Qual aplicação prática, você pode dar? O que manejo de situações reais? O que vai me falar de dietas, se você não tiver criado nenhuma? O que me contas de HACCP, caso não tenha pisado em uma planta de produção? O que me explicar de doenças, se você não viu a cara de um paciente?

Aprender a ser nutricionista-nutricionista, ou qualquer outra profissão, sem nenhum professor que o seja, é simplesmente um desafio, um exercício de imaginação que nos exige esforços ingentes depois de se formar. Quando trabalho em diferentes projetos, ouço com freqüência: “os nutricionistas tendes muito boa presença nas Redes Sociais”. Crede-me, não é mérito nosso, mas das circunstâncias. Pura sobrevivência. Tão pouco meritório como uma gazela, que se coloca em pé no Serengeti, pouco depois de nascer. Nosso parto é a formatura.

Estamos fingindo que os futuros profissionais marquem gols vendo slides de que é uma bola, fazendo com problemas de trajetória do golpe da bola, estudando as propriedades do couro, da grama, da rede… e se você for afortunado te levam de excursão ao campo de futebol. Parabéns, há 10 vagas para cortar a grama! Você pode entrar no guarda-roupa para limpar os chuveiros, seu trabalho é supervisionar o utillero.

Os gols dos tivemos que aprender a marcar fora da universidade. E antes de começar a chutar forte, houve muitos balonazos no rosto. É incrível como mudou o paradigma de ensino, hoje, pode aceder a partir de casa a uma informação verdadeira e de qualidade à base de blogs, redes sociais ou até mesmo vídeos. Recursos úteis como “perigosos”, do ponto de vista do rigor, já que o importante é identificar a informação de qualidade.

Há mais debate no youtube do que em sala de aula.
Há mais rigor em muitos blogs que em slides desatualizadas
Há mais resposta após um e-mail que em muitos escritórios.
Há mais reforço em uma rede social que entre os alunos.
A Cada dia vejo mais longe esse sonho de vir a ser professor de universidade nestas condições e neste contexto. As vontades são murchado em muito pouco tempo, espero que a paixão da docência não se apague, e que esteja de algum modo como canalizarlo, a vida abre-se caminho.

Como poderemos ensinar melhor? Haverá que imaginá-lo, ao fim e ao cabo, é o que sempre fizemos.

(Mod 27 janeiro) Esclarecimento surgida em Redes Sociais: O post fala da incompatibilidade geral de todos os D-N próximos ao âmbito universitário, não do meu próprio.

Se você gostou compartilhe e divulgue!

Quando os rótulos não dizem sempre a verdade

Um dos temas mais tratados por o blog é o da publicidade e a mensagem que lançam os meios de comunicação sobre as propriedades dos alimentos, se bem é certo que as entradas mais abundantes no blog são sobre spots e anúncios desses produtos, rotulagem, forma uma parte essencial dessas estratégias de comunicação.

No post de hoje trago a tradução de uma colaboração que publicou a associação Medicinska Ff, da Suécia. Agradeço a um dos editores da revista da associação, Vladimir Choi, a insistência e o interesse para que este artigo tenha visto a luz. Compartilho o trabalho original em inglês e respectiva tradução para o português.

Quando as etiquetas nem sempre dizem a verdade.
Cada vez mais produtos alimentares vendidos na União Europeia contêm alegações nutricionais e de saúde. Essas marcas enviam mensagens para os consumidores, que influenciam significativamente na escolha dos alimentos, mas são estas declarações “limpas”? Será que Está tudo sob controle e orientado para proteger a população em geral?

Exemplo de rotulagem de sucos no supermercado (ICA Varberg-Sweden)
“O inverno ataca, a fruta defende”
“Corpo de praia engarrafamento”

O que podemos encontrar na rotulagem? Como está regulamentado?
Podemos encontrar dois tipos de declarações em uma etiqueta. Alegações nutricionais e declarações de saúde.

Alegações nutricionais
Uma declaração nutricional afirma que o alimento possui propriedades nutricionais benéficas, como por exemplo, “baixo teor de gordura”, “sem adição de açúcares” ou “alto teor em fibra”

Apenas umas poucas declarações nutricionais são permitidas, apenas aquelas incluídas no Anexo do regulamento (CE) N.o 1924/2006, e têm que seguir alguns critérios quantificáveis.

(A Food and Drug Administration, é Estados Unidos, trabalha de uma forma diferente, com outras condições e declarações).

Por exemplo, “Baixo teor de gordura” só se pode declarar se esse produto contém menos de 3g de gordura por 100g de produto. “Fonte de fibra”, significa que esse produto contém, pelo menos, 3g de fibra por 100g de produto, enquanto que a “Fonte de proteína” requer pelo menos 12% do valor energético do alimento proveniente das proteínas.

Declaração de saúde
Por outro lado, uma declaração de saúde anuncia um benefício para a saúde, que se obtém ao consumir um alimento. Por exemplo, um alimento pode ajudar o normal funcionamento das defesas do corpo, ou a um normal de aprendizagem.

As declarações de saúde exigem uma autorização sob a Regulation EC 1924/2006, antes que possam ser usadas na rotulagem ou no marketing desses produtos na União Europeia.

Há outros tipos de declarações de saúde, chamadas de “declarações de saúde em novas funções”, aquelas baseadas no desenvolvimento de uma nova evidência científica. Para estas declarações, é necessária uma autorização ad hoc, caso por caso, seguindo o protocolo de admissão de AESA.

Estas declarações é especialmente valorizadas, sendo muito importantes para a indústria alimentar e das marcas, pois podem aumentar a reputação e as vendas de um produto.

Isso é sempre verdade? Como funciona a Indústria Alimentar?

Exemplo de declarações “engraçadas” que não se acolhem à legislação vigente, mas dão a entender ao consumidor efeitos benéficos

Hoje em dia, no contexto desta regulamentação, algumas empresas estão seguindo uma estratégia não muito “limpa” para obter estas declarações.

Podemos encontrar alguns exemplo de como algumas marcas estão autorizadas a divulgar declarações de saúde por apenas adicionar uma pequena quantidade de vitaminas ou minerais para seu produto (em torno de 15% da sua Ingestão Diária Recomendada). Então, o produto pode conter em seu rótulo a declaração, embora não haja uma evidência concreta de como você pode ajudar a “manter o funcionamento normal do seu sistema imunológico” ou “contribui para o normal metabolismo dos macronutrientes”

Outras empresas decidem evitar a regulação fazendo uma declaração “graciosa”. Se passar por algum supermercado sueco poderá encontrar sucos que se anunciam como “Mais imunidade que Berlusconi”, “Esquecer o número de seu médico”, “Férias de verão engarrafadas” ou “Boa aparência nua”

Estas práticas são exemplos de como, apesar de ter um quadro legal que regula a rotulagem nutricional, sempre haverá lacunas na legislação. Mesmo se você modificar o regulamento, um fato que é necessário hoje em dia, novas estratégias pouco éticas aparecem para aproveitar-se dele.

Talvez a resposta yazca como quase sempre estar informado e desenvolver habilidades de pensamento crítico. Entender os efeitos de um alimento em nosso organismo, não é tão fácil como comer, devemos entender que nem sempre um nutriente desenvolverá fantásticas melhorias em nosso corpo, apesar de que o diga uma etiqueta.

Cuidado com esses truques, come saudável e lembre-se que com uma dieta equilibrada e completa, não precisa de nenhum alimento funcional. Tenha em conta que uma declaração de saúde extraordinária, requer evidência extraordinária.

Artigo original publicado na revista da associação Medicinska Foreningen

Se você gostou compartilhe e divulgue!